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Existe um velho brocardo jurídico que diz: “quod non est in actis, non est in mundo” [o que não está nos autos, não está no mundo]. Ele se refere à necessidade do juiz de se ater unicamente aos fatos expressos nas folhas dos autos processuais, não podendo decidir segundo conhecimento direto seu da realidade em análise. É o Direito criando um microcosmo só dele, onde nada mais importa. Claro que esse princípio não é mais levado ao pé da letra por ninguém mentalmente são, mas o que eu quero falar a respeito não é sobre Direito, e sim sobre o Google.

Quando queremos lembrar da letra daquela música, ou confirmar um fato relatado por um colega ou lido em alguma fonte não confiável (um blog, por exemplo), a quem recorremos? os jornais, revistas e TV são as opções tradicionais, mas elas não cobrem mais o universo de informações hoje disponível na Internet. Cabe no fim ao Google a função de tira-teima. Pesquisar nesse “motor” de busca é algo tão comum e difundido que virou verbo na língua inglesa (“to google”)[1], e na língua portuguesa (“googlar” ou “guglar”)[2].

Por sinal, o banco de dados do Google é tão abrangente que, ao digitar a seqüência aleatória “asfasf sdf df” no teclado, obtive, pasmem, 177 ocorrências. Antigamente, quando alguém queria atacar um argumento do seu oponente, ele poderia dizer: “se o que dizes ocorreu mesmo, por que não vi na TV?”. Hoje em dia, teria mais força um contra-argumento assim: “isso que você falou não aconteceu não. Googlei a respeito e não achei nada”.

Claro que há muita coisa que existe e não está indexada nas bases de dados do Google, mas é impressionante a importância que essa ferramenta ganhou no nosso dia-a-dia. Afinal de contas, se alguém lhe disser que conhece uma banda XYZ, e você não encontrar nenhuma menção a ela no Google, você pensaria ou não pensaria “será que essa banda existe mesmo?”. Quod non est in Google, non est in mundo.

[1] – http://www.merriam-webster.com/dictionary/google
[2] – http://pt.wikipedia.org/wiki/Googlar

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